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9 de agosto de 2017

A subida ao altar e o recebimento da chave do imóvel próprio são dois dos momentos mais importantes na trajetória de um casal. No entanto, quando esses projetos coincidem no mesmo período, a euforia inicial costuma ceder espaço a dúvidas e inseguranças.

Casar e comprar apartamento sem iniciar a vida a dois com as finanças no vermelho pode gerar certo desconforto. No entanto, com um bom planejamento estratégico integrado, é possível gerenciar e realizar os dois sonhos sem abrir mão da estabilidade financeira.

Neste guia prático, trazemos orientações técnicas e cuidados para que o casal organize a jornada da vida a dois com inteligência e previsibilidade. Afinal, quem casa quer casa e vamos ajudar vocês nesse planejamento.

É possível casar e comprar apartamento ao mesmo tempo?

O casamento e a aquisição simultânea de um imóvel exigem o gerenciamento de dois fluxos de caixa distintos. Um deles é focado no curto prazo (o evento do matrimônio), e o outro é estruturado para o médio e longo prazo (a aquisição do bem).

Com esse entendimento, é perfeitamente possível concentrar os dois objetivos dentro de um mesmo ciclo financeiro. Porém, é importante ressaltar que a viabilidade depende diretamente da capacidade de poupança do casal, da disciplina na gestão do orçamento e, sobretudo, do tempo de antecedência dos preparativos.

O principal erro cometido pelos casais é tratar o casamento e a compra do imóvel como eventos isolados. Quando os custos de fornecedores de eventos se somam às parcelas de uma entrada de financiamento habitacional de forma desordenada, o estresse financeiro pode desgastar o relacionamento antes mesmo da assinatura dos contratos.

Como planejar o casamento e a compra do apartamento ao mesmo tempo?

Por se tratar de dois projetos de grande porte realizados em paralelo, o sucesso dessa empreitada deve se amparar em quatro pilares estruturais:

Definição de prioridades

Alguns casais preferem direcionar o dinheiro para uma entrada robusta do apartamento, visando parcelas menores no financiamento, enquanto optam por uma celebração de casamento minimalista.

Outros priorizam a festa de casamento dos sonhos e aceitam adiar a entrega das chaves do imóvel por mais alguns meses ou optam por uma unidade em construção com prazo de pagamento estendido.

Diante das alternativas, o casal precisa responder de forma honesta qual dos dois projetos terá prioridade e receberá a maior fatia dos recursos disponíveis se o orçamento apertar. É fundamental dialogar, analisar os prós e contras e tomar uma decisão de comum acordo.

Alinhamento de expectativas

O alinhamento de expectativas financeiras e de estilo de vida é o fator determinante para sair da teoria para a prática. Divergências de consumo entre os parceiros impactam diretamente na concretização.

Se um dos noivos projeta uma festa de gala e o outro visualiza uma recepção íntima, ou se um deseja um apartamento de três quartos em um bairro nobre e o outro aceita um imóvel compacto bem localizado, o planejamento entra em conflito.

É fundamental que o padrão da festa e o perfil do imóvel reflitam a realidade financeira atual da dupla, e não desejos idealizados que fujam do orçamento real. As divergências de desejo e opinião podem minar os sonhos e resultar em decisões equivocadas.

Metas financeiras compartilhadas

A partir do momento em que decidem construir uma vida juntos, as finanças individuais devem se conectar e convergir para metas compartilhadas. Isso significa visualizar e quantificar os valores reais:

  • Qual é o valor total estimado para o casamento?
  • Quanto custará o montante total da entrada e custos burocráticos do apartamento?
  • Quanto o casal consegue poupar, mensalmente, de forma conjunta?

Esses valores devem ser registrados e monitorados por meio de planilhas ou aplicativos de gestão financeira de acesso mútuo, transformando o esforço de poupar em um propósito conjunto.

Cronograma de realização

O tempo com prazos determinados é o melhor aliado do planejamento financeiro. Estabelecer uma linha de 12 a 36 meses permite diluir os custos e maximizar o poder de negociação.

 

Um cronograma bem estruturado define, mês a mês, as principais ações necessárias:

 

  • quando começar a visitar os imóveis;
  • o melhor momento de fechar com os primeiros fornecedores do casamento;
  • as datas de vencimento das parcelas da construtora;
  • o prazo limite para a quitação dos contratos do evento.

Escolha do formato de casamento

O formato escolhido para a celebração do casamento influencia diretamente o ritmo de formação de patrimônio para o imóvel. Cada modelo altera de forma significativa o nível de gastos no curto prazo e, consequentemente, o tempo necessário de acumulação de recursos para o imóvel. Veja:

Casamento civil

O casamento civil é a opção de menor impacto financeiro. Restrito às taxas cartoriais e eventuais custos com deslocamento e documentação, esse formato permite que praticamente 100% da capacidade de poupança mensal do casal seja direcionada para a aquisição do apartamento. É a escolha ideal para casais que possuem urgência em mudar para a casa nova ou que preferem canalizar o capital para a amortização do saldo devedor do imóvel.

Casamento religioso

A cerimônia religiosa, mesmo quando desvinculada de uma grande festa, adiciona custos a mais no planejamento. Entram no orçamento as taxas da igreja ou templo, decoração do altar, música sacra e vestuário dos noivos. Embora exija um desembolso maior que o modelo puramente civil, o casamento religioso sem recepção ainda mantém uma margem confortável para a manutenção dos recursos financeiros destinados ao imóvel.

Celebração simples

Opções como o Mini Wedding, um almoço íntimo para familiares ou um coquetel após a cerimônia civil equilibram o desejo de comemorar com a responsabilidade de comprar o imóvel. Esse formato permite controlar o número de convidados, o principal gerador de custos de um evento, mantendo os gastos sob controle e evitando que a festa comprometa o capital que seria utilizado na entrada do apartamento.

Festa completa

Uma comemoração com buffet, espaço de eventos, banda, assessoria, fotografia e decoração de alto padrão representa o cenário ideal de casamento para muitos noivos. No entanto, esse modelo exige mais do planejamento. O casal precisará de um prazo muito maior (geralmente acima de 24 ou 36 meses) para acumular os valores da festa e do imóvel simultaneamente, ou terá que aceitar um financiamento imobiliário mais longo devido ao menor valor disponível para dar de entrada.

Como organizar as finanças para casar e comprar apartamento?

A estrutura para sustentar esses dois projetos ao mesmo tempo baseia-se na composição da renda e na previsibilidade das despesas em médio prazo. Aqui vão algumas dicas práticas:

Renda, orçamento e capacidade de poupança

O planejamento deve começar pela renda líquida conjunta, ou seja, o valor que efetivamente entra na conta bancária do casal. A partir desse número, realiza-se o mapeamento detalhado das despesas fixas, como aluguel atual, contas de consumo, assinaturas e variáveis, como lazer, alimentação fora de casa e transporte.

Subtraindo as despesas da renda líquida, descobre-se a capacidade real de poupança mensal. Com esse valor em mãos, o casal deve projetar o orçamento em um horizonte de 12 a 36 meses.

A partir dessa projeção, define-se a divisão do valor, por exemplo, destinar 30% para os custos do casamento e 70% para acumular a entrada do imóvel. Se os custos reais superarem essas projeções, o cronograma ou o padrão das escolhas precisará ser ajustado.

Formação da entrada do imóvel

A entrada é o principal obstáculo financeiro na compra do apartamento. No cenário imobiliário, os bancos costumam financiar, no máximo, 80% do valor do imóvel, exigindo pelo menos 20% de entrada em recursos próprios.

Para otimizar essa arrecadação sem canibalizar o orçamento do casamento, o casal deve utilizar mecanismos estratégicos. O uso do FGTS e de aportes extras, como 13º salário, terço de férias, bônus corporativos e participações nos lucros (PLR), bem como os investimentos de liquidez e baixo risco são opções válidas.

Reserva de emergência

Durante o período de preparação, a concentração de gastos atinge o pico, deixando o casal vulnerável a imprevistos como desemprego, problemas de saúde ou consertos mecânicos. A reserva deve equivaler a, no mínimo, 3 a 6 meses das despesas fixas do casal.

É muito importante que esse montante seja mantido de forma totalmente isolada do dinheiro do casamento e do imóvel. Utilizar o dinheiro da reserva de emergência para pagar um fornecedor da festa ou fechar o contrato do apartamento é um erro grave que deixa o casal sem rede de proteção no momento em que a vida a dois começa.

Custos que costumam ficar fora do planejamento

O custo de aquisição de um imóvel vai além do valor anunciado pela construtora ou imobiliária. O casal precisa incluir no orçamento os chamados “custos invisíveis”, que representam cerca de 4% a 6% do valor total do imóvel:

  • ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis): imposto municipal pago pelo comprador para transferir o imóvel para o seu nome.
  • Registro do Imóvel e Escritura: taxas cartoriais obrigatórias para formalizar a propriedade.
  • Taxas de evolução de obra: no caso de apartamentos comprados na planta, o comprador paga juros decorrentes dos repasses bancários à construtora ao longo da construção, valor que não amortiza o saldo devedor principal.
  • Seguros habitacionais: seguros obrigatórios exigidos pelas instituições financeiras nos contratos de financiamento (MIP – Morte e Invalidez Permanente e DFI – Danos Físicos ao Imóvel).

Como escolher o apartamento ideal para começar a vida a dois?

A definição do perfil do primeiro imóvel faz parte do planejamento inicial da vida conjugal. Escolhas técnicas evitam prejuízos financeiros com reformas excessivas ou mudanças precoces. Veja o que considerar nessa etapa:

Tamanho do imóvel

Para o primeiro apartamento, a adequação do espaço deve focar na fase atual do casal e nos planos para o médio prazo. Unidades de 1 ou 2 quartos costumam apresentar o melhor custo-benefício para quem está começando a dividir o mesmo teto.

Localização

A localização deve priorizar o bem-estar e a qualidade de vida, trazendo eficiência para a rotina pessoal e profissional de ambos. A presença de comércio e a proximidade do trabalho ou das linhas de transporte público são fundamentais para evitar desgastes no dia a dia do casal, além do normal.

Rotina do casal

O layout do apartamento deve se adaptar ao estilo de vida da dupla. Se um ou ambos trabalham em regime de home office, a existência de um segundo quarto para escritório é essencial.

 

Se o casal costuma viajar com frequência, um condomínio fechado com infraestrutura de segurança integrada traz tranquilidade. O imóvel ideal deve funcionar como um facilitador do cotidiano, e não como uma fonte de demandas e custos operacionais excessivos.

Planos futuros

Embora seja o primeiro imóvel, o planejamento deve considerar a flexibilidade para mudanças em um horizonte de 5 a 7 anos. Se o casal pretende ter filhos no curto prazo, a escolha de um apartamento em condomínio com áreas de lazer infantis e proximidade a escolas torna-se relevante.

Caso a intenção seja focar na carreira e postergar a paternidade/maternidade, um imóvel compacto com alto potencial de valorização e revenda futura pode ser a melhor estratégia de mercado.

Quais erros evitar ao casar e comprar apartamento ao mesmo tempo?

Mapear as falhas mais comuns cometidas por casais permite antecipar problemas e blindar a saúde financeira e emocional da relação:

  • Falta de alinhamento financeiro: omitir dívidas passadas, esconder hábitos de consumo ou não abrir o jogo sobre a renda real cria uma base frágil;
  • Gastos acima do orçamento: pressões sociais ou apelos comerciais que fogem da realidade financeira comprometem o fluxo de caixa;
  • Ausência de reserva para imprevistos: direcionar cada centavo poupado para as parcelas e contratos, deixando a conta bancária zerada, é um convite ao endividamento;
  • Concentração de despesas em curto prazo: agendar o pagamento para a construtora, taxas de cartório e as últimas parcelas dos fornecedores da festa para o mesmo trimestre cria um risco financeiro perigoso.

Escolha de um imóvel incompatível com a realidade financeira

Comprometer mais de 30% da renda líquida conjunta com a parcela do financiamento imobiliário estrangula o orçamento familiar, impedindo o casal de mobiliar a casa nova, manter uma rotina de lazer e construir patrimônio.

Casar e comprar um apartamento de forma simultânea é um desafio complexo, mas perfeitamente viável. Com planejamento técnico, disciplina financeira e diálogo transparente, o consenso para ajuste no formato da celebração e o perfil do imóvel à realidade do bolso se torna algo prazeroso e parte desse início de vida conjugal.

Gostou do artigo e quer entender melhor como escolher o espaço ideal para uma vida a dois? Aproveite então para ler nosso artigo detalhado sobre apartamento para recém-casados!

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